Motoristas do transporte coletivo são acolhidos para tratamento de ansiedade durante a pandemia

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Com a pandemia pelo novo coronavírus-COVID-19, intensificaram as ações em prol da saúde mental, com foco no combate a ansiedade e a depressão que tiveram um aumento visível aos profissionais do transporte coletivo, principalmente nos motoristas que mantiveram suas atividades durante todo o período de isolamento. Com o retorno gradativo de todas as atividades da capital, é preciso preparar os motoristas a nova rotina, mantendo todos os cuidados para a proteção dos profissionais e seus familiares. A Associação dos Transportadores Urbanos de Mato Grosso – MTU, o Sindicato dos Transportes Urbanos – STU e Serviço Social do Transportes/ Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SEST/SENAT Cuiabá-MT, iniciaram uma parceria com uma série de lives com o intuito de amenizar os impactos causados pela pandemia, promovendo conscientização e orientação, garantindo o bem estar dos trabalhadores do sistema de transporte urbano.

Psicóloga clínica e Palestrante do SEST/SENAT, Cristina Brumati, especialista em terapia cognitivo comportamental, foi a primeira convidada da ação e respondeu a diversas perguntas dos profissionais das empresas de transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande, através de uma live realizada no dia 31 de julho e esclareceu diversas dúvidas a respeito da saúde mental dos motoristas em tempo de COVID-19.

Depressão, ansiedade, medo e pânico são sintomas registrados pelos departamentos de Recursos Humanos das empresas de transporte coletivo há um bom tempo.
Os riscos de contaminação pela COVID-19 intensificaram os sintomas e os atendimentos nos setores da saúde. Cristina Brumati, ressalta que os agendamentos e procura no SEST/SENAT em especial na área de saúde mental, aumentaram consideravelmente. “Foi preciso demonstrar que o grande inimigo é o medo, cansaço e a frustração de não poder estar ao lado da família, estar com medo, ansioso e inseguro neste cenário onde enxergamos riscos de vida em todos os lados, nos tira da zona de conforto e isso traz consigo uma sensação de perda do controle da nossa própria vida”, disse.

Cristina lembra que a preocupação com a saúde mental dos motoristas do transporte coletivo sempre foi presente por parte das empresas e que essa parceria só tem a reforçar a importância dessa classe, podendo citar que um período também considerado crítico, foi principalmente quando o pagamento era feito em dinheiro dentro do ônibus aos motoristas. O medo e o sentimento de sofrerem um assalto era presente no dia a dia. Surgiu então a proposta de um transporte público humanizado. “Com a pandemia, foi preciso olhar de forma humanizada, no sentido de acolhimento desses profissionais. É preciso lembrar que em nenhum momento os motoristas pararam de trabalhar, sempre tiveram à frente, assim como os profissionais da saúde entre outros profissionais, também estão lidando com vidas”, ressalta a psicóloga.

Dos atendimentos que realizou com motoristas no SEST/SENAT, ela disse que é muito evidente no momento os relatos que se enquadram a ansiedade e que muitos desencadearam a ansiedade patológica. “Muitos se sentiram vulneráveis por estarem expostos a contaminação”.
Wesley Pereira da Silva, 44 anos, é motorista do transporte coletivo em Cuiabá há 26 anos. Mesmo não passando por conflitos com passageiros por conta do uso da máscara relata que sentiu medo de ser contaminado pelo coronavírus. “No começo da pandemia eu fiquei com medo, mas depois que nos passaram todas as informações de como agir, lavar as mãos, tomar banho e usar o álcool gel eu fiquei mais tranquilo. Quanto aos passageiros, a gente que é motorista não pode fazer muita coisa, cada um tem que se cuidar”, conta.

O processo de somatização ocorre quando existe um ou mais sintomas físicos que causam intensa preocupação e incômodo ao paciente, mas que não são explicados por uma condição orgânica e essa somatização é influenciada por estresse e ansiedade. Cristina explica que os sintomas da ansiedade têm sido confundidos com os sintomas do COVID-19, especificamente ao que se refere a dificuldade de respirar. “Pedimos então para que motoristas verifiquem os sintomas e faça uma autoanálise, verificando os demais sintomas apresentados. Lembrando que muitas vezes podemos desenvolver pensamentos catastróficos e até mesmo desenvolver um medo da morte, que leva o indivíduo a desencadear crises de pânico e até um transtorno. Orientamos as pessoas a questionarem esses pensamentos, se foi diagnosticado com a doença, se está tomando os devidos cuidados para evitar uma possível contaminação. Se ele está tendo apenas falta de ar, não significa que está doente ou esteja contaminado. Principalmente se não existe febre, perda de paladar, diarreia, tosse ou outros sintomas relacionados ao COVID-19 conforme indica a Organização Mundial da Saúde – OMS”, relata.

A psicóloga alerta que a sociedade precisa ter consciência que os motoristas do transporte coletivo “estão dando o seu melhor, deixando sua família em casa e transportando as pessoas durante todo período da pandemia. Todos estamos de luto e com medo e os motoristas também estão vivenciando isso“, conclui.

Todos os trabalhadores do transporte coletivo que apresentam sintomas de estresse, pânico, ansiedade e depressão são acolhidos nos setores de Recursos Humanos das empresas com serviços de psicologia. Esses motoristas sempre foram todos os trabalhadores do transporte coletivo que apresentam sintomas de estresse, pânico, ansiedade e depressão são acolhidos nos setores de recursos humanos das empresas com serviços de psicologia. Esses motoristas sempre foram encaminhados aos serviços do SEST/SENAT, o qual neste período adotou o protocolo específico para atendimentos direcionados aos casos de COVID-19 e ansiedade. O projeto “Transporte Integrando e Acolhendo”, foi criado pela psicóloga, aprovado pelo diretor Ricardo Azevedo e é composto por uma equipe multidisciplinar da área de saúde da instituição, tendo uma boa adesão dos motoristas. Além do encaminhamento para psicoterapia no SEST/SENAT, as empresas do transporte direcionam também para os Centros de Atenção Psico Social-(CAPS) e em alguns casos para atendimentos particulares.
De uma média de 250 mil passageiros transportados por dia em Cuiabá, cerca de um pouco mais de 30% estão utilizando o sistema de transporte urbano hoje.


Assessoria de Imprensa MTU