A operacionalização do transporte coletivo da capital é debatida em live

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As demandas do transporte coletivo de Cuiabá, como dimensionamento das linhas, números de carros em cada uma delas, pontos de ônibus, velocidade média dos ônibus no trânsito, implantação de faixas exclusivas, cálculo da tarifa, recargas do cartão transporte e a mudança cultural de priorização do transporte público no trânsito foram temas discutidos na live sobre o “Desempenho Operacional do Transporte Coletivo em Cuiabá”. A transmissão aconteceu pelo Instagram da MTU a partir das 9 horas desta sexta-feira, 04 e teve a participação do diretor de Transportes da Semob, Nicolau Jorge Budib e do representante da MTU, Marcos Assis Braga.

A proposta da live foi de esclarecer algumas dúvidas comuns dos passageiros relacionadas à política de transporte coletivo do município de Cuiabá. O diretor de Transportes da Semob, Nicolau Jorge Budib explicou que o dimensionamento da quantidade de veículos por linha, o intervalo entre um veículo e outro e os itinerários é realizado pela Semob. “Não é simples, pois têm linhas que chegam a ter 22 carros e outras podem ter até dois carros. O que se leva em conta é a demanda de cada bairro, quantidade de passageiros por horário e dia. O mais importante é a oferta e demanda”, pontuou.

Todos os cálculos são feitos pela Secretaria de Mobilidade Urbana da capital, criada a partir de 2015 e que passou a gerenciar o trânsito, o transporte público e ainda possui um setor de Engenharia que fica responsável pela sinalização, fiscalização, orientação do trânsito. No caso do setor de transporte, a Semob faz a regulação e fiscalização do transporte público, taxis, moto-taxis e os aplicativos como o Uber.

“Nosso carro chefe é o transporte coletivo, um direito social e que afeta a sociedade de maneira geral. É nossa obrigação oferecer o transporte público e como é feito em todo o Brasil repassamos através de concessão pública para o setor privado. As empresas têm competência e condições de contratar, por exemplo funcionários capacitados. A Prefeitura municipal não tem como fazer isso, portanto nossa parte é regular e fiscalizar os serviços”, explicou Nicolau.

Tarifa

Conforme orientou o diretor de Transportes da Semob, o calculo da tarifa do transporte coletivo é feito com base numa fórmula matemática regulamentada pelo Ministério dos Transportes. Em Cuiabá, desde 2016 que a responsabilidade pelo reajuste da tarifa é da Agencia Municipal de Regulação de Serviços Públicos Delegados – Arsec. São considerados os custos do transporte, como salários, combustíveis, manutenção, quilometragem rodada e o número de passageiros pagantes. “Por isso que é preciso tratar com muita responsabilidade quando se fala em itinerários, criação de novas linhas, entre outros. É preciso entender que a linha não é do bairro, é da região”, orientou Nicolau.

Velocidade Média X Tarifa

Durante a live, Nicolau e Marcos Assis, representante da MTU, comentaram sobre a realidade do transito de Cuiabá que tornou-se difícil nos últimos anos em razão do incentivo ao uso de veículos particulares nas últimas décadas. “Hoje as conseqüências dessa política equivocada, que não priorizava o transporte público causa congestionamentos, acidentes de trânsito e estresse”, disse Nicolau.

Os congestionamentos e os acidentes reduzem o tempo de viagem dos ônibus, refletindo no aumento dos custos como também no desconforto dos passageiros. Além disso, o crescimento desordenado da cidade provocou o surgimento de linhas de ônibus muito longas, como é o caso da linha que vai do centro ao bairro Pedra 90, com 22 km de extensão. Marcos Assis conta que hoje uma linha comum pode chegar a levar de 30 a 40 minutos para chegar no centro.

Faixas Exclusivas

A implantação de faixas exclusivas para o transporte urbano é uma realidade antiga em todo o mundo. Nos Estados Unidos, elas surgiram desde 1930 e possuem o objetivo de tornar as viagens mais rápidas e pontuais. Nicolau anunciou que será implantada uma faixa exclusiva na Rua General Vale com a extensão de 800 metros. “Pode parecer pouco, mas faz muita diferença para o transporte”, comentou. Outra faixa será na Avenida Fernando Correa da Costa, da Praça do Motorista até o córrego do Barbado. “Os motoristas devem entender que a prioridade é o transporte público. Essa é uma conversa que estamos tentando fazer com a Câmara Municipal de Cuiabá e com o Ministério Público Estadual”, adiantou.

Recarga dos Cartões Transporte

A recarga antecipada dos cartões transporte é outro tema que vem sendo debatido com o MPE e o Poder Legislativo. Nicolau ressaltou que a recarga feita dentro dos ônibus retarda a viagem e tem causado inúmeras reclamações dos usuários que pedem agilidade. Além do desconforto de ficar dentro do ônibus parado esperando que outros passageiros façam a recarga na hora.Hoje em dia existem diversas maneiras de fazer a recarga, seja com os monitores nos pontos de ônibus, nos aplicativos via celular, no comércio e no site da MTU.

O sistema do transporte coletivo de Cuiabá é mantido por três empresas – Caribus Transportes, Pantanal Transportes e Integração Transportes. As empresas possuem uma frota de 386 veículos e empregam 1.300 funcionários, entre eles 660 motoristas.

A live faz parte da programação em alusão a Semana Nacional do Trânsito, comemorado de 18 a 25 de setembro, e busca conscientizar a sociedade para a importância de mudanças em atitudes cotidianas em prol da valorização da vida.